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Estudos contemporâneos

Preparando aula para a disciplina de docência do ensino superior encontrei um artigo denominado de –  “O Futuro da Educação: Uma Análise de Cenários”, de Chimenti, Rodrigues e Nogueira. Fui lê-lo animado, pois estava com a cabeça naquela questão que abordei em outro post sobre as novas competências demandadas em processos de seleção. Interessante para a aula, mas não era bem o que eu queria sobre a temática das competências. Entretanto, me levou a pesquisar sobre experiências inovadoras de ensino e aprendizagem em universidades. Que é o que irei encaminhar aqui, por meio de um blog bem interessante: Blog da Tissen.

Refere-se a uma universidade denominada: Minerva School. Seu modelo pedagógico foi criado pelo neurocientista e ex-decano do Centro de Ciências Sociais de Harvard, Dr. Stephen Kosslyn.

De acordo com Tissen, a escola oferece um currículo completamente diferente das universidades tradicionais. Os alunos vivenciam imersões culturais, exploram algumas cidades ao longo do curso e participam diariamente de seminários interativos desafiadores. As aulas são online e utilizam o advanced learning environment, desenhado para facilitar um alto grau de interação entre alunos e professores. E exigem presença, participação e desenvolvimento de projetos.

Ao longo de quatro anos de estudos intensos, os alunos moram em residenciais e exploram juntos diferentes cidades. Como afirma Alex Aberg Cobo, “nosso objetivo é possibilitar aos melhores estudantes a oportunidade de se prepararem para os desafios do século XXI em uma escola verdadeiramente global”. 

O primeiro ano do curso é realizado na sede da escola em San Francisco. Na sequência, os alunos vivem em Berlim, Buenos Aires, Seul, Bangalore, Istambul e Londres. “Durante esses quatro anos compartilham entre eles suas culturas, criam grupos de interesses, viajam juntos e estão em contato com os professores e staff da escola que os acompanham permanentemente – virtual e presencialmente”, explica a CEO, Robin Goldberg.

A ideia central é ajudar os alunos a pensar. Criticamente e criativamente. E a se tornarem cidadãos globais, antenados para as necessidades do mundo em que vivem e do mundo futuro, preparados para oferecer soluções novas e bem formuladas.

É caro, 28 mil dólares anuais (uns 90 mil reais), mas creio que o investimento é perfeito. A seleção é bem criteriosa.

Novas competências

Hoje, por meio do Linkedin, recebi um anúncio de emprego: gerente de soluções pedagógicas. Demanda da Kroton, maior empresa de educação no Brasil. Vejam os requisitos:

ATIVIDADES E RESPONSABILIDADES
Reportando-se à Diretoria de Produtos e Serviços Educacionais, o profissional será responsável por duas grandes linhas de atuação na Educação Básica:
1- Formação continuada de profissionais que atuam na educação básica.
2- Aplicações educacionais para estudantes da educação básica, tais como simulados, diagnósticos, que visem verificar os resultados de aprendizagem.

• Planejar, desenvolver, implantar e avaliar projetos e atividades com foco nas áreas de atuação;
• Pesquisar, avaliar e inserir novas tecnologias nos processos inerentes a fim de aperfeiçoa-los;
• Proceder ao acompanhamento e a avaliação dos projetos e processos inerentes à área, interagindo com as demais áreas da educação básica e Companhia;
Analisar a viabilidade técnica e financeira de projetos envolvendo os projetos da área, adequando-os às diretrizes educacionais da educação básica e aos negócios da Companhia;
• Propor, em articulação com outras áreas da educação básica e Companhia, critérios para inserção de metodologias pedagógicas e tecnologias nos processos – inovação;
• Propor diretrizes, normas e padrões técnicos que orientem o planejamento e a execução dos projetos
• Orientar, pesquisar e/ou desenvolver protótipos e experiências utilizando metodologias e tecnologias internamente ou por meio de parcerias com fornecedores e outras instituições visando a inovação na área;
• Desenvolver o programa de formação anual e continuado para profissionais da educação básica;
• Efetuar durante o calendário anual de atividades escolares aplicações educacionais para estudantes.
• Manter e aperfeiçoar um sistema de atendimento contínuo e permanente, voltado para a resolução de problemas técnicos, pedagógicos, metodológicos, decorrentes das atividades executadas;
• Efetuar a gestão de pessoas, projetos, processos e orçamentos.

FORMAÇÃO ACADÊMICA NECESSÁRIA
• Buscamos profissional com Superior completo em Pedagogia, Administração ou áreas correlatas.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
• Necessária sólida experiência em funções correlatas, preferencialmente em Sistemas de Ensino, Empresas com foco em educação, ou empresas com áreas educacionais
• Relacionamento interpessoal, gestão de equipes, hands on, complementam o perfil desejado.
• Criatividade, Inovação, Visão Sistêmica e Estratégica são imprescindíveis.Dominio de gestão de projetos, pessoas, processos e orçamentos.
• Conhecimentos nas áreas de tecnologia de informação e padrões utilizados para os processos de ensino e aprendizagem.
• Desejável experiência na área de educação, preferencialmente na área de educação básica

 

Para os que não são da área, hands on é dar o sangue pela empresa. Infelizmente, não consegui o salário.

As atividades e responsabilidades são inúmeras e diversificadas. Realmente, requer uma dupla formação: pedagogia e administração.

Nenhuma instituição forma um profissional como esse. Mas, é cada vez maior a demanda por esse tipo de profissional polivalente em várias áreas. Para formar alguém assim, deveria haver um ciclo de formação básica: linguagem, comunicação, relações interpessoais, projetos etc. E uma parte mais específica, construída pelo aluno a partir de seus interesses.

Mas, as mudanças no setor da educação superior não estão indo nesse sentido. Ao contrário, os cursos estão ficando mais padronizados, menos flexíveis e menos individualizados.

 

Professores sem partido

Não creio sinceramente que no momento  esta seja uma discussão central sobre a educação brasileira. Mas, como li em vários lugares manifestações contrárias sobre os projetos de lei com a temática de professores sem partido resolvi me aprofundar nas leituras.

Uma das primeiras que fiz, foi no próprio site do movimento; um depoimento de Ilona Becskehásy. Ele cita algumas situações que o movimento alega serem claramente doutrinadoras. Ilona destaca os citados abaixo:

  • se desvia freqüentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional;
  • impõe a leitura de textos que mostram apenas um dos lados de questões controvertidas;
  • ridiculariza gratuitamente ou desqualifica crenças religiosas ou convicções políticas;
  • pressiona os alunos a expressar determinados pontos de vista em seus trabalhos;
  • alicia alunos para participar de manifestações, atos públicos, passeatas, etc.;
  • permite que a convicção política ou religiosa dos alunos interfira positiva ou negativamente em suas notas;
  • não só não esconde, como divulga e faz propaganda de suas preferências e antipatias políticas e ideológicas;
  • omite ou minimiza fatos desabonadores à corrente político-ideológida de sua preferência;
  • promove uma atmosfera de intimidação em sala de aula, não permitindo, ou desencorajando a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus;
  • não impede que tal atmosfera seja criada pela ação de outros alunos.

 

Isso é verdade. Todas essas situações já foram vividas na escola ou na universidade, por professores e alunos. Ultimamente, acrescentaria mais duas: aprova alunos em mestrado desde que o referencial teórico dos projetos esteja de acordo com suas convicções políticas; e aprova, da mesma maneira, candidatos em concursos públicos para docentes em universidades públicas.

Bem, esta é a realidade. Mas, daí aprovar leis para limitar essa postura, isso acho perigoso demais. Aliás, para mim, quanto menos leis melhor. Essa interferência na vida das pessoas é nociva.

Acho que os professores devem ser formados como profissionais, não como amadores. Como profissionais devem seguir um código de ética (simples, objetivo). Não pensar pelos alunos, fazê-los refletir por conta própria. Analisar os problemas sociais a partir de várias perspectivas. Assim, ao tratar a questão das políticas de cotas para negros o professores pode destacar duas visões. Um humanista-radical pensa as cotas para negros da seguinte forma, mas um liberal desta outra.Aqui estão os argumentos de um lado e de outro. O que vocês acham?

Não encerro esta temática. Tenho que apresentar o outro lado.

 

A formação do cidadão e a educação

Trabalho com formação de professores em uma Faculdade de Educação. Um ambiente naturalmente marcado pela defesa de diferentes ideias sobre o mundo e sobre a educação, de forma mais específica.
Uma das temáticas caras para esse grupo de docentes e discentes é a formação cidadã. A educação tem como finalidade a formação do cidadão. Sujeito histórico, participativo, engajado na transformação do mundo em que vivemos.
Traduzindo em questões práticas de gestão, valoriza-se a gestão democrática, ou melhor, a gestão participativa, que em uma perspectiva mais radical (como Paro e outros defendem), uma gestão colegiada, sem a necessidade do gestor. Aliás, falar em administração para esse grupo é o mesmo que defender o neoliberalismo.
Pois bem. agora chego ao foco do que quero comentar. Eleição na universidade. Eleição para diretor de um centro. ótimo momento para exercitar a cidadania. Ledo engano. A eleição foi um momento de falta de transparência, acirramento de discussões, maior cisão entre os grupos, falta de debates, agressões de ambas as partes, agressões contra professores e alunos etc. Tudo, menos o diálogo, o debate de ideias, o conflito salutar, o colocar os problemas da universidade e do Centro em análise. Enfim, uma tragédia.
Pergunto: como posso trabalhar gestão democrática com os futuros professores e diretores de escolas se no local em que ocorre parte de sua formação não se consegue praticar o que a teoria defende?

Educação e as ideologias novamente em disputa

As seguidas greves, sem reposição de aulas, com claro prejuízo ao aprendizado dos alunos têm provocado mudanças na gestão dos sistemas escolares. Há no setor educacional dois movimentos inconciliáveis : um de centralização (Sistema Nacional de Educação, Plano Nacional de Educação, mudanças no federalismo estabelecido na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, por exemplo. Outro direcionamento é o da descentralização, com parcerias mais localizadas, incluindo o setor privado.
O cuidado necessário é a manutenção de um ensino público com qualidade e que possibilite aprendizagem aos alunos e apoio acadêmico aos professores.http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/09/1677040-goias-prepara-parceria-inedita-com-setor-privado-para-escolas-publicas.shtml?cmpid=compfb

Sistema Nacional de Educação: isso é realmente necessário?

O movimento dos educadores “progressistas” tem trabalhado assiduamente por um Sistema Nacional de Educação. Confesso que tenho lido dezenas de artigos sobre a questão, Cury, Abicalil, Gilda, etc. Todos com algumas perspectivas diferentes mas no geral defendendo uma centralização de políticas na União. O que para alguns seria a definição de um currículo nacional e de financiamento (este último já existindo), para outros seria formação e carreira de professores, participação da União em vários conselhos setoriais, etc. Não concordo.
Seria uma recentralização da União no federalismo brasileiro e uma mudança significativa no papel dos estados e dos municípios. No fundo, é a institucionalização do viés político da educação por meio de leis, portarias, resoluções, etc.
Agora pergunto: a União tem legitimidade para isso? Não é por demais perigoso a educação de um país como o Brasil ficar submetida a ideologia de um governo central?
Nos idos neoliberais, o ídolo dos progressistas, Michael Apple, salientava o perigo da centralização curricular e afirmava que aquele tipo de movimento deveria ser entendido como instrumento conservador.
Agora, muito dinheiro tem sido gasto com discussões intermináveis em fóruns de educadores sobre esse sistema. O governo mais corrupto da história brasileira certamente vai ceder e os educadores irão novamente carregá-lo nos braços e, pior, nos cérebros.

Sites de pesquisa

Utilizo muito os sites listados abaixo para realizar pesquisas. Creio que pode ajudar aos pesquisadores iniciantes.

As propostas do candidato

Recebi em minha residência, por meio de um folder,  as propostas do candidato ao Governo do Estado Elder Barbalho. Fiz uma breve análise de quatro itens sobre educação.

Primeira proposta: escola em tempo integral. A maior parte dos candidatos a faz por pura demagogia, não entendem o que estão falando. Ouviram dizer que é bom para ganhar votos e reproduzem. Não que seja ruim, mas no momento esta não é a prioridade.
A questão central é o aprendizado dos alunos, seja com duas, três, quatro ou oito horas de aulas diárias. Há poucos anos aumentaram para duzentos os dias letivos no ano. Melhorou alguma coisa? Muito Pouco.Aulas sem planejamento, pois os professores têm pouco tempo para reflexão e estudo, comprometem o tempo das aulas, que são consumidas com a cópia de exercícios do quadro, disciplina da turma e aulas expositivas que os alunos não prestam atenção. Resultado, os alunos aprendem muito pouco.
No lugar de escola em tempo integral uma boa proposta seria a criação de uma instituição formadora de professores de forma permanente (já tivemos uma, o ISEP, que o ex-governador Jader Barbalho ajudou a acabar), para que estes aprendessem a gestão da aprendizagem, buscassem apoio em colegas mais experientes para o enfrentamento de problemas como as dificuldades de aprendizado e a indisciplina dos alunos, por exemplo.Escola em tempo integral funcionando como a escola atual não é a solução.

Outra proposta de candidato a governador (em um folder colorido; aliás, que campanha caríssima!). Construção de 1000 novas salas de aula, sendo 600 em novas escolas. Para que? Não conseguem manter as que já existem. Pelo que sei não há necessidade de novas escolas, os investimentos devem ser de outro tipo, de acordo com a realidade de cada município, voltados para facilitar o aprender dos alunos. Novas salas não farão muita diferença se permanecerem bibliotecas sem livros, laboratórios de informática sem material didático, salas de música sem instrumentos musicais e salas sem refrigeração.

Terceira proposta. “Levar a UEPA a todas as regiões do Pará”. Já não está há alguns anos? Agora é aumentar os investimentos na Universidade para desenvolver a infraestrutura já existente dos campi do interior e da capital, possibilitar o aumento de vagas, projetar para que ela seja o local do Instituto de formação de professores do Estado, por exemplo.

A última. “Valorização dos professores, com salários dignos e implantação da comissão permanente de negociação, evitando as greves”.
As greves ocorrem somente por salários? Não é um direito do trabalhador? Qual salário será digno?
Acho que algumas propostas das eleições internas das universidades públicas são um pouco melhores

Número de formandos no ensino superior cai pela primeira vez desde 2003

Três em cada quatro alunos que estão frequentando o ensino superior no Brasil o fazem em uma organização privada. Alvo de críticas dos educadores da chamada corrente progressista, o aumento nas matrículas aconteceu justamente nos governos de Lula e Dilma.

A notícia da semana foi a apresentação de dados indicando queda no número de formandos. O governo se apressou em dizer que suas avaliações (controle de qualidade) fecharam cursos e instituições.

Bem, não vou me apressar em dizer se essa posição do governo está certa ou errada. As avaliações de IES que participei não garantem qualidade nenhuma. Acabaram se tornando um preenchimento de planilhas, um ajustamento meio que forçado do funcionamento verdadeiro das IES com aquilo que o Ministério deseja.

Acho melhor analisar a qualidade dos alunos. Não tem sido fácil trabalhar na graduação. Há muito mais sono e letargia do que motivação e proatividade. Estudar não é nada fácil e exige muito esforço. Não se aprende só por osmose, mas sentando a bunda na cadeira e estudando muito. São raros os que se propõem a fazer isso.

O link abaixo permite visualizar a reportagem.

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/tres-quartos-dos-alunos-do-ensino-superior-estao-em-instituicoes-privadas

Professores brasileiros: salário nos últimos lugares

Reportagem no site da Revista Veja apresenta os dados de pesquisa sobre os salários dos professores em vários países do mundo. Brasil ocupa a penúltima posição entre os pesquisados.http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/salario-dos-professores-brasileiros-esta-entre-os-piores-do-mundo/