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Universidade moderna: modelos humboltiano e napoleônico

19/07/2011

Vou escrever alguns posts sobre universidade. Divido em questões contextuais, organizacionais e características dos agentes. O primeiro é sobre as origens da universidade moderna e aborda os modelos humboltiano e napoleônico. As obras citadas no texto são relacionadas no post sobre referências bibliográficas.

O marco do surgimento da universidade moderna é a organização da Universidade de Berlim, em 1808, fundamentada nos princípios defendidos por Humbolt em seu texto “Sobre a organização interna e externa das instituições científicas superiores em Berlim”.

Os princípios essenciais postulados por Humbolt são os seguintes: a formação por meio da pesquisa; “a unidade entre o ensino e pesquisa; a interdisciplinaridade; a autonomia e a liberdade da administração da instituição e da ciência que ela produz; a relação integrada, porém autônoma entre Estado e Universidade” (PEREIRA, 2009, p. 31). Para a realização deste ideal de universidade haveria necessidade de integração entre professores e alunos, um professor criador e um corpo discente integrado a este.

Essa idéia de uma instituição na qual seus membros estejam plenamente integrados e imbuídos de seus objetivos e fins levou Habermas a afirmar ser esta premissa irrealista, pois o sistema universitário moderno seria inabarcável e incontrolável.

Outro pressuposto do modelo humboltiano é o papel central das instituições científicas superiores não apenas no âmbito educacional, mas também na cúpula do sistema moral das nações. Sobre esse aspecto Habermas afirma: “O certo é que desde o princípio não ficou claro como iria conciliar-se a missão crítico-emancipatória com a abstinência política, que era afinal o preço que a universidade tinha de pagar pela organização estatal da sua liberdade” (HABERMAS, 1993, p.119).

No Brasil, além da concepção idealista especificada acima, a universidade foi influenciada também por uma perspectiva funcionalista que via outros propósitos para a universidade e outra forma de vinculá-la à sociedade e ao governo:

Via a missão da universidade voltada para as necessidades sociais, com a função de servir a nação e a finalidade de ser de utilidade coletiva, sociopolítica e socioeconômica. Nesta  concepção, a universidade é tida principalmente como uma instituição instrumental de formação profissional e de formação política. É o modelo desenvolvido na França (modelo Napoleônico) e nos países socialistas. Suas normas são emanadas do exterior, sua autonomia é relativa e seu controle pelas forças de poder é preponderante (PEREIRA, 2009, p. 32).

Destaque-se que a preocupação da universidade napoleônica era com a estabilidade do Estado, e, para isso, centralizava as atividades de ensino e as direcionava para produzir as competências profissionais e administrativas necessárias a essa estabilidade.

O modelo humboltiano de universidade e o modelo napoleônico apresentam outros aspectos, porém, os acima especificados estão no cerne dos debates que permanecem até hoje no funcionamento das universidades, como as temáticas da autonomia administrativa e pedagógica, da interferência governamental e a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, por exemplo.

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From → Educação

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