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Consultoria em IES

21/07/2011

Realizo trabalhos de consultoria para organizações educacionais. Sempre que puder, apresentarei alguns posts sobre o assunto. Creio que dessa forma poderei contribuir com estudantes e profissionais da administração. O texto abaixo, destaca a relação entre estratégia e avaliação.

Ao desenvolver consultoria organizacional para instituições de educação superior (IES) há necessidade, muitas vezes, de promover, de forma indissociável, a reorganização da estrutura e dos processos acadêmicos e administrativos da organização.

Trata-se de uma tarefa a ser empreendida coletivamente, por gestores, professores, funcionários e alunos da Faculdade, junto ao consultor. O ponto de partida são os princípios e objetivos institucionais definidos e reafirmados no regimento e no plano de desenvolvimento institucional que serviram como guia para as ações desenvolvidas ao longo da trajetória de uma dada organização, assim como, os avanços e os problemas diagnosticados. Confluem nesse ponto os processos de estratégia e de avaliação. Mas, quais concepções desses conceitos devem embasar o trabalho?

Parto dos seguintes pressupostos:

  1. As IES são organizações complexas e pluralísticas e quaisquer intervenções em suas estruturas e processos deverá considerar essas características;
  2. O processo estratégico é uma construção social, marcado pelo surgimento de episódios e eventos que produzem efeitos e resultados sobre modos de comportamento e padrões de atividades;
  3. Agentes e contexto (estruturas, regras, normas, valores) se constroem mutuamente. A idéia de determinismo das estruturas sobre as ações humanas não pode ser considerada de forma exclusiva. A ação humana possui intenções nem sempre claras de início, mas fundamentadas em experiências e em crenças individuais. É também uma ação política, não desconectada da realidade e marcada por interesses e motivações. Ação e estrutura constituem-se mutuamente.

Sobre avaliação, Dias Sobrinho (1995, p. 61) enfatiza que:

A avaliação institucional deve ser promovida como um processo de caráter essencialmente pedagógico. Não se trata apenas de conhecer o estado da arte, mas também de construir […] reconhecer as formas e a qualidade das relações na instituição, constituir as articulações, integrar as ações em malhas mais amplas de sentido, relacionar as estruturas internas aos sistemas alargados das comunidades acadêmicas e da sociedade.

Avaliação na perspectiva de formação e integração, segundo o SINAES, implica em processos institucionalizados de auto-avaliação, por meio dos quais a instituição de ensino superior acumulará conhecimentos sobre sua realidade. O processo de auto-avaliação possibilitará questionar a missão, rever as finalidades sociais, identificar problemas, fortalecer o relacionamento institucional com o entorno social e a sociedade em geral, projetar a relevância social e científica das atividades, referendar publicamente a própria existência da instituição (BRASIL, 2004).

Estratégia é um termo polissêmico, utilizado em um sentido cotidiano, teórico e empírico. Pode significar uma direção escolhida previamente, ordenada em torno de objetivos e metas tendo em vista uma melhor adaptação da organização ao ambiente em que atua, por meio de respostas às oportunidades e às ameaças, principalmente, econômicas.

Por outro lado, em uma perspectiva mais processual e que considera a racionalidade humana imperfeita ou limitada, a estratégia é igualada à lógica do comportamento da organização em um “fluxo de ações” (Mintzberg, 1978). “A lógica é estabelecida pela referência ao relacionamento dialético entre a organização, seu sistema interno e seu ambiente” (WHIPP, 2004, p. 236).

As duas abordagens estratégicas implicam em concepções diferenciadas de homem, ação, ambiente e organização. Considera-se que a segunda possa contemplar de forma mais abrangente os processos inerentes a uma organização educacional, mas também é possível e, muitas vezes necessário, utilizar-se de métodos e modelos desenvolvidos pela primeira abordagem.

Espera-se que no transcorrer do processo de consultoria, mudanças ocorram em regras, normas, formas de proceder e avaliar condutas resultando em aprendizagem individual e organizacional. Isto só poderá acontecer mediante a difusão das novas informações, a geração de conhecimento, a sua aplicação e a possibilidade de analisar e avaliar as conseqüências dessa aplicação na nova realidade que se pretende construir na organização.

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From → Administração

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