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Criatividade para implantar a mudança

03/08/2011

Um dos temas mais abordados nas áreas que eu estudo é a criatividade. Confesso que tenho certo receio de abordar essa temática. Ela nos é apresentada diariamente na mídia, em livros, em artigos e em entrevistas como sendo algo natural, que com um pequeno esforço todos podemos desenvolver. Porém, trata-se de questão bastante complexa, envolvendo aspectos individuais e coletivos, cognitivos e afetivos.

Um dos melhores livros que já li sobre o assunto, “Criatividade e Processos de Criação”, de Fayga Ostrower, resume no seu primeiro parágrafo o que considero uma das melhores definições para o ato de criar. Transcrevo na íntegra: “Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse ‘novo’, de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e, esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar” (p. 9).

Estabelecer novas coerências e relacionar fenômenos de formas diferentes implicam em mudança nos esquemas interpretativos dos indivíduos e nos valores e crenças de uma coletividade. Isso impõe mudança de hábitos, de rotinas consideradas como o jeito certo de fazer determinadas coisas, tarefa bastante difícil.

O que sempre de alguma forma me faz voltar ao texto de Ostrower é a constatação da necessidade de mudança nas organizações em geral, em especial, nas organizações educacionais, pois o futuro das transformações tecnológicas já chegou e as organizações continuam presas ao passado.

Quando se escreve sobre mudança geralmente a preocupação é com o que mudar e como mudar. Acredito, porém, que antes dessas interrogações há necessidade de uma transformação mais profunda, pessoal e coletiva, que possa romper amarras que impedem o ato criativo definido por Ostrower ou uma mudança mais profunda das organizações sociais.

Como se daria isso? Este é o questionamento central sobre o qual educadores, administradores, elaboradores de políticas, entre outros profissionais têm concentrado suas reflexões.

Em um livro que estou começando a ler, sobre o qual ainda não posso elaborar uma crítica, denominado “Presença”, os autores afirmam que essa reflexão somente poderá ocorrer por meio de uma capacidade essencial, a ‘presença’. “Primeiro imaginamos a presença como estar plenamente consciente e atento no momento atual. Depois, passamos a considerá-la como o ato de ouvir com intensidade, de rejeitar os preconceitos e formas históricas de emprestar sentido às coisas. […] um estado de abrir-se para receber, de participação consciente num campo mais vasto de mudança. Quando tal acontece, o campo muda e as forças modeladoras de uma situação deixam de recriar o passado para manifestar ou materializar o futuro (presente).

Se afastar de nossas crenças é muito difícil. Creio que só poderemos pensar em novas formas de organizar a escola – sua estrutura física, seus tempos, seus processos pedagógicos – se conseguirmos nos afastar daquilo que consideramos como verdades inquestionáveis.

Para fomentar esse processo, gestores, professores, técnicos, alunos, pais, governos, podem empreender mecanismos cotidianos de discussão, de troca de experiências, de pesquisa sobre novas práticas que fundamentem as reflexões ‘de presença’ na geração do novo.

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From → Geral

One Comment
  1. NeoGnose permalink

    Lendo o texto, infelizmente, só consigo pensar na Coréia do Sul, Canadá ou Finlândia.
    Aqui, salvo uma revolução, levaremos décadas (sendo bastante otimista!) para começarmos o processo de mudança ora exposto.
    Afinal, a quem não interessa essa mudança na educação?!

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