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Quem deve ser o diretor da Escola?

08/08/2011

Tenho escrito sobre a importância do diretor escolar na condução do projeto educacional da Escola. Há uma discussão permanente sobre quem deveria ser esse diretor e como poderia ser escolhido – eleição, indicação política, ou concurso público.

Em um texto antigo – “A organização do trabalho como fundamento da administração escolar – Romualdo Portella de Oliveira, professor da USP e um autor que eu admiro, escreveu a seguinte passagem:

“Dentro de uma visão de administração escolar, que chamaríamos de tradicional, é possível justificar a função de direção da Escola como essencialmente “técnica”. Essa concepção legitima a sua seleção por concurso público de títulos e provas e vice-versa.

A perspectiva que estamos desenvolvendo aqui é a de que esta visão é pura “ideologia”.

Se observarmos concretamente o trabalho desenvolvido por um diretor em qualquer de nossas unidades escolares, verificaremos que, do conjunto de suas atividades, apenas uma pequena parte lhe garantiria uma “competência técnica específica”, inacessível e diferenciada de qualquer professor. E isto ainda que condescendêssemos no dimensionamento dessa “pequena parte” com razoável dose de boa vontade.

Entretanto, o que consideramos mais importante desse debate é que, mesmo essa parte estritamente técnica de suas atividades não constitui sua atividade principal. Os aspectos centrais de sua atividade concreta encontram-se muito mais num gerenciamento, coletivo ou individual – isto agora pouco importa – do processo de trabalho da Escola. E essa parte não é técnica, mas política ou, condescendendo novamente, “pedagógica”.

A questão destaca novamente a idéia que todo cientista da educação tem sobre a administração: uma atividade técnica. Não está correta, a administração é uma atividade técnica e política. É uma atividade contextualizada, ou seja, sua ação depende do contexto em que é desenvolvida. A administração de uma escola é diferente de um hospital que é diferente de uma empresa. Uma empresa de grande porte é administrada de uma forma, enquanto uma de menor porte de outro.

Em uma escola, portanto, o administrador deverá utilizar seus conhecimentos técnicos, sua experiência política, seu conhecimento específico sobre educação, construindo uma estrutura cognitiva e prática capaz de lidar com as questões específicas que lhe desafiam nesse ambiente específico.

Sou totalmente contrário à idéia de uma direção bipartida – um administrador encarregado das questões burocráticas e um educador responsável pelas questões pedagógicas – como existe na França, por exemplo.

Por outro lado, não acredito que realizar concurso público para a função seja a solução. Defendo que qualquer professor da Escola possa ser diretor, mas terá que se preparar. O fato de ser educador, de ter bom relacionamento com os colegas e de ser capaz de manejar o “jogo político” não serve como garantia para o exercício da função. Da mesma forma, o fato de ter um curso de especialização em gestão escolar também não. O diretor escolar deve ser capaz de integrar o técnico, o político e o pedagógico em sua gestão, sob pena de realizar um trabalho incompleto. É difícil, mas é a única solução que vejo para a questão.

Quanto à forma de escolha do diretor, escreverei sobre isso em outro post.

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