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Monografia 2: o pesquisar e as qualidades do pesquisador

23/08/2011

A primeira questão relacionada com pesquisa é a razão de realizá-la. A melhor resposta que já li é produzir conhecimento. A segunda questão é como realizá-la. Neste caso há dois aspectos relacionados: é um processo de perguntas e investigação; é sistemática, metódica e rigorosa.

A produção do conhecimento é atividade essencial para toda instituição de educação superior. Demo (1995, p. 127) afirma que “a alma da vida acadêmica é constituída pela pesquisa, como princípio científico e educativo, ou seja, como estratégia de geração do conhecimento e de promoção da cidadania”.

O autor é um dos que melhores escreve sobre o significado de pesquisa, destacando o sentido do diálogo crítico e criativo com a realidade, culminado na elaboração própria e na capacidade de intervenção. Em tese, “pesquisa é a atitude do aprender a aprender” (DEMO, 1995, p. 128).

Como processo, trata-se de um avançar até um determinado ponto. Uma sequência nem sempre bem definida de ações visando encontrar respostas às questões de pesquisa.

Para ser sistemática, metódica e rigorosa alia teoria e prática em torno da solução para um problema que precisa ser solucionado.

Algumas qualidades são necessárias para um pesquisador, segundo Collis e Hussey (2005):

  • capacidade intelectual
  • capacidade de comunicação
  • habilidades organizacionais
  • habilidades relativas à tecnologia da informação
  • independência
  • motivação
  • perseverança

A capacidade intelectual envolve habilidades fundamentais de pensamento, como: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. A primeira habilidade requer familiaridade do pesquisador com seu objeto. Aqui reside uma das grandes dificuldades do aluno envolvido na elaboração de um TCC. Após quatro, cinco ou seis anos em um curso em que as disciplinas vão se sucedendo sem um nexo muito claro, a definição de uma área em que aquele possua um maior aprofundamento nem sempre é tão evidente.

Outra habilidade muito difícil é a síntese que requer a capacidade de obter informações a partir de um volume muito grande de dados e de outras informações. É preciso ao estudante desenvolver criatividade (percepção, intuição, compreensão). Para mim,  este é um dos aspectos mais complexos do ato de pesquisar.

A capacidade de comunicação escrita e oral é outro grande desafio. Ao ingressar no nível de educação superior o aluno traz consigo várias deficiências relacionadas ao uso correto da língua portuguesa. Não se trata apenas  de regras gramaticais não seguidas, mas, ao mesmo tempo, o uso limitado de palavras, o que torna a comunicação simplória e sem brilho. Creio que a única forma de desenvolver essa habilidade é prestando bastante atenção às leituras, participando de “aulas de nivelamento” e torcer para encontrar professores que saibam orientar sobre os erros cometidos. Sem esta habilidade é quase impossível elaborar uma monografia.

Para diversos autores, a habilidade organizacional mais importante a ser desenvolvida é a administração do tempo. É interessante organizar um cronograma de atividades, o que não quer dizer que imprevistos não possam acontecer. Ao longo de uma pesquisa há momentos de muita produtividade que devem ser aproveitados ao máximo, e outros em que o trabalho rende muito pouco. Há também as atividades críticas que são aquelas que não podem ser atrasadas, tipo: a apresentação do projeto, uma entrevista com um informante importante que vai viajar de férias, uma pesquisa em uma biblioteca específica durante uma viagem, por exemplo.

Outra questão sobre o tempo que considero fundamental –  dar atenção à pesquisa todos os dias, mesmo que seja para escrever um pequeno parágrafo ou para transcrever um trecho de uma entrevista. Esquecer a pesquisa por um tempo não é estratégia boa. Quando fiz minha tese programei estudar oito horas todos os dias (menos domingo), o que me possibilitou defendê-la dez meses antes do tempo de minha liberação, o que me evitou muito stress. Este último aspecto  está também relacionado com perseverança.

No próximo post abordarei os tipos de pesquisa.

 

 

 

 

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From → Educação

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  1. O bom pesquisador | This is not the droid

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