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Sobre a prova ABC

29/08/2011

A Prova ABC é  uma avaliação elaborada numa parceria do Instituto Paulo Montenegro, Fundação Cesgranrio, Todos Pela Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Foi aplicada no primeiro semestre deste ano para cerca de 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares do país para medir conhecimento do conteúdo até o 3º ano. Em todo o país, 250 escolas participaram da avaliação do final do ciclo de alfabetização.

Os resultados, como apresentados em post anterior, não foram bons, principalmente para a região Norte. Em Matemática, por exemplo, os alunos do Norte marcaram apenas 152,6 pontos (28,3%), enquanto que a média nacional ficou em 171,1 pontos (42,85%).

Na prova de leitura, a média nacional foi de 185,8 pontos na escala, sendo 216,7 pontos entre alunos da rede privada e 175,8 pontos para estudantes da rede pública. A médica nacional (incluindo escolas públicas e privadas) foi de 56,1%. Os alunos do Norte que estudam na rede pública pontuaram em 166,7 pontos (39,4%). A rede privada teve desempenho de 210,6 pontos (69,4%). A média nacional foi de 172,8 pontos (43,6%).

Lá vem um monte de críticas às escolas e aos professores. Algumas são corretas, pois há muitas escolas em que a gestão do processo pedagógico é muito deficiente. Professores, gestores, alunos e pais “acostumam-se” há um ambiente sem motivação, sem criatividade e sem cobranças. Porém, não podemos deixar de ressaltar que este é apenas a parte final (e talvez mais grave) do problema, que apresenta outras causas importantes.

Lembro, quando era Pró-Reitor de Extensão, há uns 12 anos atrás, que realizava muitas viagens aos municípios do Pará. Em muitas ocasiões, apresentava os projetos da universidade aos prefeitos e aos secretários de educação em busca de parceria. Não era incomum encontrar prefeitos analfabetos e secretários de educação com uma formação em nível superior, mas não relacionada com educação. Era difícil convencê-los da necessidade em investir na formação de professores, na capacitação dos gestores, na dinamização da cultura da escola, por exemplo.

Hoje, esse quadro está bastante modificado em termos de formação, mas ainda são poucos os gestores municipais que compreendem a sua importância para a melhoria da qualidade das escolas. Não se trata de intromissões a todo o momento nas escolas, já que no meu entendimento, a mudança nas escolas deve acontecer de dentro para fora, pois os problemas são localizados e cada escola apresenta determinada realidade. Trata-se de estruturar secretarias municipais com pessoal técnico capaz de apoiar às comunidades escolares nos seus empreendimentos, de garantir as condições necessárias ao aprendizado dos alunos e de possibilitar aos professores que exerçam o seu profissionalismo.

No âmbito estadual e federal, a política deve ser voltada para diminuir as desigualdades gritantes. E isso só ocorrerá com programas diferenciados, elaborados a partir das realidades locais, fundamentados em pesquisa participante. É preciso diminuir a amplitude e dar mais foco ao conteúdo dos problemas.

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From → Educação

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