Skip to content

Escolas públicas que dão certo

05/09/2011

Para os que tem interesse em conhecer experiências inovadoras que ocorrem nas escolas públicas brasileiras, o  site em destaque traz alguns exemplos.

http://www.escolasdevalor.com.br/default.asp

A reportagem é antiga, mas vale a pena registrar.

EDUCAÇÃO
Ensino valorizadoProjeto reconhece o trabalho de 14 escolas públicas que conseguiram, com ideias simples, melhorar o aprendizado dos alunos e obter bom desempenho no Ideb. Colégio de Ceilândia é uma dessas instituições


Paloma Oliveto
 

 
 
 
 

A garotada aguarda, ansiosa, a chegada da bruxa. “Cre-mil-da, Cre-mil-da”, clamam, batendo palmas. Vestida a caráter, Deise Saraiva, vice-diretora da Escola Classe 52, em Ceilândia Sul, entra em cena, para o delírio dos pequenos estudantes. Quem vê o colégio modesto, localizado numa das regiões com menor índice de desenvolvimento humano (IDH) do Distrito Federal, não imagina que seus alunos — boa parte moradores de uma invasão vizinha — ostentam notas mais altas que a média do restante do país. O segredo, revela a diretora, está na gestão. “É um trabalho conjunto de professores e coordenadores”, diz Deoclides Pereira de Carvalho.

Sem investimentos financeiros, os profissionais da EC 52 conseguiram que os estudantes tirassem 4,8 no índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb), indicador do Ministério da Educação (MEC) que combina notas da Prova Brasil e dados de evasão escolar. A média brasileira é de 4,2 para os primeiros anos do ensino fundamental. Por causa do bom desempenho e dos projetos desenvolvidos, o colégio ganhou o título de escola de valor, um reconhecimento de organizações da sociedade civil que lutam pela qualidade da educação no país.

No site www.escolasdevalor.com.br, estão relatadas 14 experiências bem-sucedidas de colégios públicos que, assim como a EC 52, alcançaram Ideb acima de 4,2 e criaram programas que fizeram a diferença entre os alunos e a comunidade. As seis melhores vão ganhar um prêmio e serão retratadas num livro editado pela Fundação Santillana. “A ideia é organizar um grande fórum de experiências que possam ser trocadas na rede pública. Os projetos mostram que é possível fazer um bom trabalho com poucos recursos em locais onde há risco social”, conta Mônica Messenberg, diretora da fundação.

A experiência de Ceilândia é a única do DF registrada pela iniciativa. Intitulado Momento da história legal, o projeto da escola nasceu do gosto da vice-diretora Deise em contar histórias para os alunos. No ano passado, ela fez um curso de contadora e, com dinheiro do próprio bolso, investiu em fantasias e objetos lúdicos. Uma vez por mês, os alunos da educação infantil e convidados das demais turmas reúnem-se num pequeno espaço próximo à sala da direção, transformado em palco, para ouvir os contos.

Deise reconhece que um auditório seria bem mais adequado, mas não há recursos para tanto. Sentadas no chão, as crianças recebem as personagens, que podem ser a bruxinha Cremilda, o menino Jonas ou o palhacinho sem nome. Dependendo da história a ser contada, a fantasia é substituída por outros recursos, como dobraduras. Na última quarta-feira, foi dia de assistir Cremilda e seus batons magnéticos. Em meia hora, as crianças fizeram contas, cantaram e se encantaram com as brincadeiras.

O programa, porém, não termina com as últimas palmas da plateia. “Os professores são estimulados a trabalhar as histórias na sala de aula”, conta Deise. A cobrança é dos próprios pequenos, que fazem questão de recontar o que ouviram. “Eles também pedem mais histórias, buscam a leitura, realmente desenvolveram um grande interesse pelos livros”, diz, orgulhosa. De acordo com a vice-diretora, o desenvolvimento, principalmente das turminhas de educação infantil, é visível. “Eles melhoraram muito a oralidade, produção de textos coletivos, ilustração”, enumera.

Coletivo
Em São José dos Campos (SP), um projeto voltado à leitura também ganhou o título de escola de valor. Mais antiga que a do DF, a experiência rendeu à Escola Municipal Professora Áurea Cantinho Rodrigues um índice de leitura superior ao registrado em países europeus. Lá, os estudantes “devoram”, em média, oito livros por ano. “Em 2004, começamos a trabalhar com metas e soluções. Percebemos que os alunos tinham um problema sério de interpretação de texto, então nos concentramos nisso”, conta a coordenadora pedagógica, Rita Mesquita.

Com apoio do governo municipal, cada professor recebeu um kit com 40 livros. Todos os dias, os alunos das séries iniciais do ensino fundamental têm 50 minutos para ler o título que escolherem. Eles são estimulados a escrever para os demais colegas, apontando quais aspectos gostaram ou não gostaram na leitura. No fim do ano, os estudantes que mais leram recebem homenagens e condecorações. O acervo da biblioteca da escola, que tem 1,3 mil estudantes, reflete o interesse dos pequenos pelos livros: são 15 mil livros, mais de mil por criança matriculada.

Agora, o colégio colhe os frutos do investimento. No último Ideb, recebeu nota 6, uma das mais altas do estado de São Paulo e bem superior ao registrado no restante do país. “A leitura é o carro-chefe. Quem lê escreve bem e sabe interpretar, o que é fundamental para todas as disciplinas”, destaca Rita. Ela conta que o sucesso do projeto pode ser atribuído à forma como a direção conduz a gestão da escola. “Aqui ninguém trabalha sozinho. Muitas escolas fazem planejamento solitário. Nós preferimos o coletivo”, diz.

No Rio de Janeiro, foi o ambiente escolar que fez a diferença. Na Escola Municipal Júlio de Mesquita, que tirou nota 5 no Ideb, as salas de aula do ensino médio são individualizadas. Para cada disciplina há uma sala diferente. O objetivo foi permitir que os professores e alunos tivessem acesso aos materiais pedagógicos de forma permanente. “Na minha disciplina, que é geografia, os mapas expostos e o globo terrestre na sala estimulam a pesquisa e o interesse pela matéria”, conta Maria Eloise Lima, professora de geografia. O projeto, que começou neste ano, resultou em duas salas de português, duas de matemática, duas de ciências, uma compartilhada por geografia e história e outra rotativa, para qualquer disciplina. Para tanto, a escola não recebeu dinheiro extra, apenas remanejou os recursos de que já dispunha.

Também no Rio, uma pequena escola de apenas um andar, localizada na zona rural, conseguiu modificar a realidade dos alunos com um projeto simples mas eficaz. No “blog educativo”, desenvolvido pela Escola Municipal Comunidade de Vargem Grande, os alunos têm acesso a suporte didático postado por professores além de poderem se comunicar com os mestres, a comunidade e entre eles mesmos. No espaço, há um resumo das disciplinas e atividades propostas para os estudantes. O blog também serve de material didático nas aulas de informática. Segundo a professora Andréa Barreto, que coordena o projeto, os alunos estão mais empenhados. “Aumentou a autoestima do corpo docente e dos alunos. Alguns que se mostravam desinteressados em ler ou participar de qualquer atividade promovida no projeto estão mais dispostos”, comemora.

Para Mônica Messenberg, é esse o espírito de uma escola de valor. “São pequenas ações que, seja com foco na aprendizagem, na formação dos profissionais ou na relação com a comunidade, desencadeiam uma mudança na educação”, diz. “Não existe uma regra única nem uma receita de bolo. O importante é ter uma boa ideia”, ensina.


É possível fazer um bom trabalho com pouco recurso, em locais onde há risco social
Mônica Messenberg, diretora da Fundação Santillana

O número 4,2 é a nota mínima no Ideb que as instituições precisam alcançar para serem incluídas no projeto


Conheça outras experiências de escolas de valorUma escola especial
A escola Dr. Décio Gomes Pereira, no município de Sapiranga (RS), era conhecida como Carandiru, por causa da quantidade de episódios violentos que ocorriam na instituição. Os pais não apareciam nas reuniões e, quando havia provas, os alunos as entregavam em branco. Em 2005, a realidade começou a mudar. Os novos gestores investiram em projetos de teatro, dança, coral, banda, além de criarem um hino da escola e um jornal que divulga a conquista dos alunos. Hoje, de acordo com a coordenação, o clima é de harmonia e participação, com pais, alunos e professores orgulhosos.

Criança em festa
O projeto foi desenvolvido na escola Viver e Conhecer, localizada num loteamento, a 2km do centro de Capinzal (SC). A intenção era envolver mais os pais na realidade escolar. Alunos do pré à 4ª série do ensino fundamental têm atividades esportivas, de teatro, pintura, leitura e lazer, desenvolvidas por toda a comunidade. Mesmo quem não tem filhos na escola participa, o que aproximou os moradores do município do dia a dia escolar. “Os recursos mais utilizados foram os humanos, com pais, professores, funcionários e alunos se empenhando para o desempenho de sua função e o sucesso da mesma”, relata a responsável pelo projeto, Veranice Lovatel.

Normas de convivência
“Como a realidade gera conflitos, se percebeu a necessidade de identificar, compreender, reconhecer e mediar essas situações. O instrumento usado foram as normas de convivência criadas com participação dos segmentos — pais, alunos, professores e funcionários —, buscando estabelecer limites no ambiente escolar e, consequentemente, prevenir a violência”, explica Vera Lermen Bohn, responsável pelo projeto desenvolvido pelo Colégio Estadual Poncho Verde, em Mato Leitão (RS). As normas são discutidas e aprovadas por um conselho, composto por representantes de todos os setores. “Os resultados são expressivos. Os objetivos de estabelecer limites na educação são atendidos e, com eles, a inibição da violência”, diz Vera.

Somos todos moradores de uma só casa
O projeto da escola de ensino médio D. Pedro II, em Novo Hamburgo (RS), visa desenvolver o espírito crítico dos jovens alunos em relação ao meio ambiente. A educação ambiental é trabalhada nas disciplinas e em atividades como coleta de pilhas, baterias, produção de sacolas ecológicas, peças de teatro e gincanas. Para levar a ideia adiante, a escola não tem gastos financeiros expressivos. O maior recurso é o humano, com o empenho dos funcionários e da comunidade no projeto.

Anúncios

From → Educação

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: