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Temas “impróprios”

13/09/2011

Em tempos de avaliação, encontrei duas reportagens  na Folha de São Paulo,  de junho de 2010, que trazem temas considerados “impróprios” para os professores do ensino básico público e para os professores universitários. Comento a seguir a primeira, sobre ensino estruturado.

http://www.lideresemgestaoescolar.org.br/2010/upload/arquivos/wCMxHF.jpg

De uma maneira geral, os sistemas estruturados de ensino oferecem estruturação dos conteúdos curriculares e das atividades pedagógicas por meio de materiais didáticos destinados a alunos e professores. De um modo geral, também realizam a capacitação pedagógica vinculada ao uso dos materiais, acompanhamento pedagógico ao corpo docente, além de acesso aos portais educativos.

Os defensores da tese partem de pressupostos como:

– o material didático e escolar realmente importa, especialmente quando os professores não estão preparados para a sala de aula;

– o tempo de interação dos alunos com o conteúdo formal é um recurso sagrado e escasso, portanto deve ser usado de forma eficaz;

– o enriquecimento dos recursos disponíveis na sala de aula é essencial para que os alunos tenham o máximo de contato com as informações e habilidades que se quer desenvolver.

O primeiro pressuposto é uma verdade dolorida, mas que reflete sim o que ocorre nas salas de aulas. Muitos professores são formados em instituições que não os preparam para a realidade que irão encontrar. Os cursos de pedagogia oferecem uma formação pautada na reflexão teórica dos grandes pensadores da educação, o que não é de todo errado. O problema é que deixam muito a desejar no acompanhamento e na orientação das práticas que o futuro professor prcisará dominar para ingressar na sala de aula.

Assim, o que caracteriza o ambiente de aprendizado em muitas escolas é o improviso do professor na gestão de sua sala. Só que para improvisar você deve ter muito domínio teórico e prático para não cair na superficialidade.

Nesse sentido, o ensino estruturado possibilitaria uma melhor preparação ao professor, uma certa ordem, algo em que ele pudesse pautar o seu trabalho.

Os educadores contrários à idéia afirmam que ela fere a autonomia do professor e pode homogeneizar contextos marcadamente diferentes. Sem dúvida, o professor tem a sua liberdade limitada, mas o que queremos, a liberdade do professor ou o aprendizado dos estudantes?

Quanto à homogeneidade, creio ser um problema maior. É preciso sabedoria para não restringir as muitas oportunidades de desenvolvimento individual e coletivo que surgem ao longo de um processo de aprendizagem. Ficar limitado ao material e à sequência de suas aulas é um risco acentuado para professores inexperientes e pouco capacitados.

Além destas questões, há a econômica. Até onde pode-se afirmar não ser este mais um movimento para garantir milhares de reais para a indústria do material didático financiada pelo Ministério da Educação? Bem, mas aí é uma área difícil de opinar.

Mesmo com esses senões, considero que o ensino estruturado pode ser uma alternativa mais rápida para oferecer um ensino de melhor qualidade nas escolas brasileiras.

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From → Educação

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