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Novos projetos para o ensino médio brasileiro

26/09/2011

Reportagem de Filipe Jahn para a Revista Educação elenca desafios e novos projetos para o ensino médio no Brasil. Em seguida, destaco algumas questões da matéria.

Tentando criar mais interesse aos estudantes,  programas governamentais miram a integração entre a educação profissional e o ensino médio tradicional e a flexibilização do currículo, com a introdução de disciplinas eletivas possibilitando a construção de um  percurso de aprendizado mais individualizado.

Um dos grandes problemas nesse nível de ensino é o abandono da escola. Os estudantes são atraídos por muitos estímulos – como o trabalho e  as inovações do mundo contemporâneo, por exemplo – que a escola lhes parece enfadonha. Ao mesmo tempo, muitos são pressionados pelos familiares a ingressarem no mercado de trabalho, ficando os estudos como um complemento necessário

A questão do abandono da escola no Brasil nesse nível de ensino é mais evidenciada quando se compara  o índice de jovens de 18 a 24 anos que completam o segundo ciclo do 2º grau, que equivale ao nosso ensino médio. “Conforme o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), a média de conclusão nessa faixa etária entre os 27 membros é de 79%. Nos Estados Unidos, chega a 89%. No Brasil, conforme a Síntese dos Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE em 2010, somente 37% dos jovens de 18 a 24 anos já completaram a etapa. Segundo pesquisa recente divulgada pelo Instituto Unibanco junto à rede estadual paulista, de cada 100 alunos que terminam o ensino fundamental com a idade correta, 83 vão para o ensino médio. Destes, apenas 47 terminam o médio em três anos. Considerando a evasão do início do fundamental ao final do médio, de cada 100 estudantes que entram saem 23 no período correto”.

Para aumentar esses índices de conclusão, o MEC aposta na ampliação da educação profissional, ainda pouco expressiva no Brasil. No âmbito do ensino secundário, ela responde por apenas 14% das matrículas, contra 77% da Áustria, 58% da Alemanha, 44% da França, 42% da China e 37% do Chile.
Para melhorar o cenário, o governo federal aposta, desde 2004, em propostas que apontem para um programa curricular mais flexível. Uma das principais medidas foi a possibilidade de integrar ensino regular e a educação profissional, sacramentada pelo decreto 5.154/04. Dessa maneira, instituições privadas e públicas oferecem as aulas regulares em um turno e cursos que preparem para o mercado de trabalho em outro, sob uma mesma matrícula.

Os números comprovam a tese do estudante. Uma pesquisa conduzida pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada em 2010, apontou que a chance de arrumar emprego para jovens que cursam alguma modalidade de educação profissional é 48% maior. A possibilidade de carteira assinada também cresce 38%. Para chegar a esses índices a pesquisa relacionou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2007 e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) dos oito anos anteriores.

Além da educação integrada, o decreto 5.154/04 traz outras duas formas de articulação entre o ensino médio e a educação profissional: a concomitante, para quem já está cursando o ensino médio regular, com duas matrículas por aluno e oferta de disciplinas na mesma escola ou em local distinto; a subsequente, oferecida para aqueles que já terminaram o 2º grau.

No site é possível conhecer o Programa do Governo Federal denominado E-Tec Brasil, sendo este  direcionado para pessoas que moram em cidades do interior e periferias de áreas metropolitanas.

Creio que este é um modelo que pode ser útil para estados como o Pará. Aqui, há uma grande dificuldade em conseguir professores para lecionarem em escolas técnicas, pois a maioria dos profissionais é formada nos cursos de licenciatura que dão pouca atenção à prática em laboratórios. Quando ingressam nas escolas como professores querem replicar em sala de aula o ensino do médio normal, o que faz com que os laboratórios sejam subutilizados. E laboratório pouco usado é a senha para virar sucata.

Outra proposta implantada em caráter experimental é o Ensino Médio Inovador (EMI). Lançado no ano passado, tem entre as suas principais ações o aumento da carga horária letiva anual de 800 para mil horas e a destinação de 20% dessa carga à oferta, pela escola ou por parceiros, de disciplinas eletivas.

Nesse modelo, o currículo passa a valorizar a interdisciplinaridade e deve ser organizado em torno de quatro eixos: trabalho, tecnologia, ciência e cultura. Também é previsto o incentivo à contratação de professores com dedicação exclusiva e o estímulo às atividades de produção artística e de aulas teórico-práticas em laboratórios.

O EMI funciona atualmente em escolas de 18 estados que resolveram aderir a ele e  recebem apoio técnico e financeiro da União. Segundo dados da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), os recursos totais somam R$ 33 milhões e atingem 296 mil estudantes em 357 escolas.

Este também é um Programa interessante. Quando na UEPA, em parceria com a Secretaria de Educação, desenvolvemos o Projeto “De Aluno para Aluno”. Estudantes da UEPA, sob a orientação de professores, desenvolviam atividades demandadas pelas escolas, a partir de seus professores e estudantes. Eram atividades optativas, em horário extra, que buscavam integrar as diferentes áreas de conhecimento. Teatro, música, esportes, informática, cultura regional, lazer, poesia, questões sociais eram temas trabalhados. Foi um excelente projeto que não teve continuidade na mudança de secretários. Pena!!!

Mas, acredito fortemente que este é um projeto que pode ser feito com a iniciativa privada. Várias empresas estão começando a procurar as escolas oferecendo ajuda. Na maioria das vezes, nem as escolas e nem as empresas sabem como isso pode ocorrer. Entendo que essa parceria pode produzir ações fundamentais para a educação escolar brasileira. Porém, isso é tema para outro post.

Obs: Procurei o site das Escolas de Trabalho e Produção do Pará e não achei. Queria dar um destaque ao projeto. Vou continuar procurando.

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From → Educação

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