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Gestão como prática social

31/10/2011

A gestão como um conjunto de técnicas utilizado para explorar os trabalhadores sempre foi foco de críticas dos vários analistas da sociologia contemporânea. No campo da educação, como vimos em alguns dos posts do blog, essa crítica muitas vezes é levada ao extremo, tornando o uso da gestão organizacional (a gestão da empresa capitalista)  “impróprio” para a organização escolar. Os educadores passam então a fazer uma série de “articulações filosóficas” para justificar a elaboração de uma teoria própria à administração escolar.

Há, porém, muito desconhecimento sobre o desenvolvimento da teoria da organização. No breve artigo a seguir, descrevo a perspectiva de Michael Reed sobre a gestão como prática social, que pode muito bem fundamentar as atividades de gerência na escola.

Para Michael Reed (1989), as perspectivas de análise da gestão predominantes na literatura organizacional não resolvem algumas questões centrais, dentre as quais é possível resumir: a) a não-contemplação, nos modelos de análise, de uma proposta que integre, numa mesma perspectiva, as idéias de contexto institucional, estrutura organizacional e comportamento gerencial; e b) a ênfase ora no determinismo das estruturas, ora na ação humana estratégica, ambas posições mutuamente excludentes.

O autor defende uma perspectiva que possa incorporar, de forma indissociada, à análise da gestão, os níveis institucional, organizacional e comportamental, permitindo as interseções entre a ação humana, a dinâmica da organização e o contexto macroestrutural. Essa perspectiva é denominada de gestão como “prática social” e pode ser identificada a partir de cinco fatores distintos, porém, inter-relacionados (REED, 1989, p. 22):

A classe de ações nas quais os praticantes estão engajados como membros de uma comunidade de prática;

Os conceitos por meio dos quais certos objetivos ou problemas compartilhados são identificados de um modo significativo pelos praticantes como base para o engajamento em interações recíprocas;

Os objetivos ou problemas por meio dos quais a prática é tomada e como é comunicada através do vocabulário conceitual de seus praticantes;

Os meios ou recursos (materiais ou simbólicos) por intermédio dos quais o alcance de projetos importantes é buscado;

As condições situacionais ou limitadoras sob as quais as atividades recíprocas, os recursos que elas requerem e as relações que elas engendram entre os seus praticantes são configurados e conduzidos.

Participação, envolvimento, comunidades de agentes, autonomia, contexto e recursos são conceitos presentes em todos os estudos educacionais de como deve ser a administração escolar. Portanto, há uma aproximação conceitual e prática importante a ser explorada.

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From → Educação

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