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Estratégia organizacional: o ambiente e suas diferentes interpretações

08/11/2011

Segundo alguns autores, a partir da evolução das teorias organizacionais com base no modelo dos sistemas abertos, o ambiente deixou de ser apenas um fator das análises organizacionais e passa a ser um agente central nas explicações dos fenômenos organizacionais (MINTZBERG et al, 2000). “A construção de interpretações sobre o ambiente é uma necessidade básica dos indivíduos e das organizações” (DAFT; WEICK, 2007, p. 236).

BULGACOV et al (2007, p. 54) destacam a relação indissociável entre análise ambiental e formulação da estratégia da organização:

Pensar no direcionamento e atuação organizacional sem considerar de modo consistente o ambiente é incoerente com a abordagem contemporânea de estratégia. Isso significa levar em conta não somente os aspectos concretos e objetivos do ambiente, mas também o quê e como é percebido o ambiente.

Conceitos e modos de percepção sobre o ambiente estão inter-relacionados e devem orientar os pressupostos e modelos de análise ambiental e instrumentos de análise estratégica dos gestores organizacionais.  Dependendo das bases conceituais e da forma de percepção da realidade pelos tomadores de decisão, a organização poderá seguir uma diretriz mais determinista ou mais voluntarista. A incomunicabilidade entre essas duas abordagens tem impedido muitas vezes uma análise mais integrada e real da organização e de seu ambiente por parte dos pesquisadores. As diferenças entre as abordagens determinista e voluntarista ocorrem, principalmente, em torno do grau de objetividade do ambiente e da capacidade proativa da organização perante as mudanças ambientais e são descritas a seguir.

Para Wilson (1992), existem três possibilidades analíticas sobre o ambiente. Na primeira, o ambiente é um fato objetivo (físico e social), ao qual, cabe ao homem responder de forma reativa e racional. Na segunda, o ambiente continua constituindo-se de fatores externos e tangíveis, “mas que só afetam a organização mediante processos subjetivos, de natureza cognitiva e cultural, isto é, mediante a percepção e interpretação dos agentes” (apud CRUBELLATE, 2004, p. 48). Uma terceira forma de análise é conceber o ambiente como uma construção social. Nesse caso, os ambientes não são apenas interpretados ou ordenados, mas de fato criados e recriados pelos indivíduos em suas interações, e pelas próprias ações organizacionais (WEICK, 1973).

Seguindo a primeira perspectiva, Hall (1984) afirma que o ambiente organizacional pode ser definido como o conjunto de todos os fenômenos externos à população de organizações em análise que a influenciam de forma real e/ou potencial. Fischmann e Almeida (2007, p. 19) conceituam ambiente da organização como “tudo aquilo que tem influência em seu desempenho e que a organização nada ou muito pouco pode fazer para modificá-lo”. Para os autores, análise ambiental é o processo de levantar, selecionar e analisar as variáveis relevantes para a empresa, tanto dentro como fora da organização. Serve como subsídio ao planejamento estratégico da empresa, no sentido de identificar ameaças e oportunidades futuras, contribuindo para sua eficácia (FISCHMANN e ALMEIDA, 2007).

Segundo Daft e Weick (2007), na abordagem clássica de estratégia, a organização presume que o ambiente externo é concreto, que os eventos e processos são sólidos, mensuráveis e determinantes. A chave está na descoberta por meio de levantamentos de informação, análise racional, cautela e mensuração precisa. Essa organização utilizará pensamento linear e lógico e buscará dados e soluções que sejam claros.

Críticos a essa abordagem destacam, porém, que algumas organizações – e claramente a do tipo universidade/escola – possuem características multifacetadas, pluralísticas, que tornam a análise do ambiente mais complexa, tendo esta de ser vista de forma sistêmica e processual, envolvendo atividades dos agentes e variáveis organizacionais “que não foram captadas em outras abordagens” (DAFT; WEICK, 2007, p. 236). Os indivíduos envolvem-se em ações e essas ações constituem uma realidade coletiva que deve ser interpretada a partir de aspectos objetivos e subjetivos.

Ou seja, a realidade é ordenada ao se “fabricar um sentido” (sensemaking) (WEICK, 1995), o que “implica em converter experiências e eventos em algo inteligível por meio do entendimento das relações e dos elementos que os constituem” (FONSECA; MACHADO-DA-SILVA, 2002, p. 103). A realidade é construída.

Freidberg (1993, p. 93) avança nessa concepção ao destacar que:

[…] Para compreender a instituição do meio ambiente, tem de se reconstruir os processos de interação concretos entre os membros de uma organização colocados nos seus diferentes níveis e os seus interlocutores respectivos nos diferentes segmentos concretos de meio ambiente.

Teóricos institucionalistas defendem uma abordagem intermediária entre as citadas acima, aliando aspectos objetivos do ambiente com processos cognitivos dos agentes organizacionais. Para isso, além do ambiente operacional ou técnico, destacam a existência de um ambiente institucional, sendo que este:

Realça a elaboração e a difusão de regras e procedimentos aos quais as organizações se devem conformar para obter apoio e legitimidade contextual. Tais requisitos procedem do Estado, de redes profissionais e, até mesmo, de empresas concorrentes, que avaliam as organizações pela adequação do arranjo estrutural às suas exigências (FONSECA; MACHADO-DA-SILVA, 2000, p. 104).

Para esses institucionalistas existem regras e normas às quais as organizações se submetem tendo em vista serem reconhecidas em um dado setor social, obtendo recursos para a sua sobrevivência. Mas, essas regras e normas precisam ser interpretadas pelos agentes a partir de um contexto organizacional, contexto este marcado por uma história que constitui uma cultura sob a qual seus agentes orientam seus valores e crenças, agrupados em esquemas interpretativos, podendo ser estes decodificados por meio de mapas cognitivos (BARTUNEK, 1984).

 

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