Skip to content

O ofício de dar aulas

16/03/2012

Me considero alguém muito comprometido com a minha profissão. Estudo todos os dias, procuro estar sempre informado, escrevo sempre que posso (este blog tem me ajudado muito nesse sentido), busco opiniões diferentes sobre questões fundamentais, enfim, me fundamento para poder proporcionar aos meus alunos o melhor que eu possa dar. Além disso, preparo minhas aulas com bastante antecedência (pelo menos dois meses antes do início), procuro aprender novas metodologias e estratégias de ensino, observo atentamente as reações dos alunos durante as aulas, tiro suas dúvidas e procuro apoiá-los em suas pesquisas. Gosto disso, sempre gostei.

Tenho certeza que isso é o essencial na profissão de professor. Aliás, não podemos chamar todos os professores de profissionais. Muitos acabam aportando na carreira como uma última alternativa, após não terem conseguido seguir em outras. Acho que esse é o erro fundamental. Devem ser professores apenas aqueles que realmente queiram ser. Para tanto, a formação é uma etapa essencial. Apesar de sabermos ser a formação um processo permanente, a inicial, de alguma maneira, é responsável pelo qualidade do caminho que se irá construir.

Estou ministrando aulas para a formação de pedagogos, tanto na graduação quanto em alguns cursos de especialização. O pedagogo é o cientista da educação. Aquele que estuda e teoriza sobre o processo educacional. É o profissional responsável pela orientação de outros professores na escola, assumindo muitas vezes a sua gestão.

Há muitas críticas aos cursos de pedagogia quase sempre relacionadas ao perfil muito teórico e ideológico que os formadores de pedagogos imprimem aos cursos. Há exageros nessa afirmação, mas também há verdade. O discurso de formação cidadã, de crítica às políticas públicas e de anti-globalização predominam. São de fato questões importantes que merecem ser analisadas e criticadas. O perigo é quando essa crítica, muitas vezes superficial, predomine nas disciplinas ao longo do curso, deixando de lado outras aprendizagens importantes, como os fundamentos teóricos da educação, as metodologias de ensino, os processos de aprendizagem, os princípios que orientem uma gestão participativa da escola, por exemplo.

Ser professor implica, como todo profissional, em saber agir em situações complexas pela mobilização de recursos que a pessoa vai se apossando ao longo da vida, conhecimentos e experiências pessoais refletidas. Ao mesmo tempo, requer envolvimento afetivo com o que se faz. Ontem, dei uma bronca em uma turma minha. Estavam dispersos e não tinham estudado em casa os textos. Não se trata de autoritarismo, mas responsabilidade  com a qualidade dos futuros profissionais que me comprometi, como professor universitário, a formar.

Anúncios

From → Educação

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: