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Cotas

28/04/2012

Esta semana, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, afirmou a improcedência do pleito de inconstitucionalidade das cotas para negros na Universidade de Brasília. Para quem se interessa pelo assunto, os pareceres dos ministros do Supremo são  interessantes de serem lidos.

Pois bem, levantamento feito pela Unicamp mostra que estudantes do ensino médio que receberam pontos extra no vestibular da universidade tiveram, ao final da graduação, rendimento igual ao dos demais universitários. Já pretos, pardos e indígenas que ganharam bônus adicional devido à raça auto-declarada sofreram mais com reprovação e abandono. A informação é de reportagem de Fábio Takahashi publicada na edição deste sábado da Folha que reproduzo abaixo.

Alunos do ensino médio público que receberam pontos extra no vestibular da Unicamp tiveram, ao final da graduação, rendimento igual ao dos demais universitários.

Já pretos, pardos e indígenas que ganharam bônus adicional devido à raça auto-declarada sofreram mais com reprovação e abandono.

As estatísticas são da Unicamp, que acompanhou quem ingressou em 2005 pelo programa de bonificação.

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal considerou constitucionais ações que privilegiam “grupos marginalizados como um todo”.

Desde 2005, quem cursou o ensino médio em escola pública ganha 30 pontos extras no vestibular da Unicamp, numa escala até 500. Quem se declara preto, pardo ou indígena recebe outros 10.

O modelo serviu de inspiração para o programa da USP, que restringiu a bonificação a alunos de escola pública (sem incentivo racial).

Com os dados de 2011, a Unicamp conseguiu mapear o desempenho dos beneficiados ao final da graduação.

Quem entrou por meio do bônus racial reprovou mais: 16% desses alunos ainda estudavam no ano passado, ante 10% dos demais.

Os que receberam pontos apenas por terem estudado em escola pública tiveram o mesmo rendimento que os que não ganharam nada.

Os com bônus racial também abandonaram mais os cursos: 28%, ante 24% dos demais universitários.

Para o coordenador do vestibular da Unicamp, Maurício Kleinke, as diferenças no desempenho não são significativas. “Principalmente se considerado o ganho social e de diversidade, que aumentou nos nossos cursos”.

Antes do programa, 12% dos matriculados se consideravam pretos, pardos ou indígenas. Agora, são 16%.

Kleinke diz que uma hipótese para o rendimento um pouco inferior dos bonificados pela raça é que eles chegaram com “defasagem” maior nos conteúdos básicos.

“Para diversificar o curso, basta o incentivo a alunos pobres, o que não causaria essa celeuma racial toda”, disse a docente Elizabeth Balbachevsky, do departamento de Ciência Política da USP e do Núcleo de Políticas Públicas.

“O incentivo racial é uma resposta ao pleito legítimo de movimentos que buscam valorizar a identidade étnica. Mas, com isso, podem entrar estudantes sem o preparo adequado.”


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From → Educação

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