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Doutorados na Argentina

03/03/2013

Reportagem da Folha de São Paulo traz uma abordagem sobre os cursos de doutorado na Argentina. Depois eu comento.

 

Advogados vão à Argentina fazer doutorado “express”

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FLÁVIA FOREQUE
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

Advogados brasileiros têm investido cada vez mais numa modalidade “express” de cursos de doutorado, ofertada principalmente por universidades da Argentina.

O modelo é criticados pela Capes, fundação responsável por avaliar os cursos de mestrado e doutorado no Brasil.

Mas é recomendado no país por empresas e entidades de classe diante da “possibilidade de conciliação de tempo para pessoas atarefadas”, como afirma um dos sites de divulgação dos cursos.

Esse tipo de pós-graduação está tão popular que, segundo estimativa da Capes, há três vezes mais estudantes de doutorado em direito na Argentina do que em território nacional.

Aqui, segundo números de 2011, há 1.590 matriculados em doutorados de direito.

O aumento do fluxo de brasileiros para o país vizinho vem preocupando o órgão, que aponta fragilidades nesses cursos. Para a Capes, há o surgimento de um “mercado paralelo” para burlar as exigências de abertura de novas vagas de pós-graduação no Brasil.

Editoria de Arte/Folhapress

Nesse modelo de doutorado, as aulas presenciais acontecem num período de duas semanas, nos meses de janeiro e julho, com uma carga horária média de nove horas por dia.

O aluno desenvolve sua pesquisa à distância e retorna ao país vizinho para apresentar sua tese perante a banca de docentes.

“Como um professor que dá dez horas de aula pode dar orientação para esse aluno? E quando o aluno termina os 15 dias de aula, ele volta para suas atividades.

É uma qualidade extremamente duvidosa”, afirmou Martonio Lima, coordenador da área de direito na Capes.

O elevado número de alunos para cada orientador, o baixo convívio acadêmico e a não exigência de mestrado como pré-requisito são alguns pontos que diferenciam o doutorado brasileiro do modelo intensivo, aponta Lima.

“RESERVA DE MERCADO”

Procuradas pela Folha, entidades que divulgam as vagas no país vizinho alegam uma “reserva de mercado” no Brasil, daí a grande demanda pelos cursos argentinos.

“Infelizmente, o acesso é muito restrito. As pessoas buscam formas alternativas, já que no Brasil só uma minoria consegue o ingresso”, disse Thiago Gonzaga, coordenador da Lego Cursos.

Uma das parceiras da empresa é a UMSA (Universidad del Museo Social Argentino), que organiza turmas somente para brasileiros. A Universidad Católica Argentina e a Universidad Nacional de Lomas de Zamora também oferecem cursos intensivos.

As entidades lembram ainda que a carga horária de aulas presenciais dos cursos argentinos (360 horas) é a mesma exigida no Brasil.

“No Brasil há esse equívoco: confundem os cursos de pós-graduação com presença em aula.

Em cursos de strictu sensu [mestrado e doutorado], o que se exige é pesquisa”, afirma Elpídio Donizetti, coordenador acadêmico do Iunib (Instituto Universitário Brasileiro).

“Nós queremos conhecimento ou o aluninho levantando o dedo para dizer ‘presente’? O nosso modelo não serve de inspiração para o mundo”, disse Donizetti.

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